Há uma luz que nunca se apaga
21 anos, jornalista, poeta, músico, leonino, fumante & alcoólatra orgulhoso
21 anos, jornalista, poeta, músico, leonino, fumante & alcoólatra orgulhoso
It’s no shame
walkin’ away
lookin’ at the ground
It’s no shame
laughin’ away
like a clown
when u r so lonely
that there’s no one
for stay by ur side
nor in the too cold night
It’s no shame
walkin’ away
lookin’ at the ground
It’s no shame
laughin’ away
like a clown
Renan Pretto
Veja só como ele
é inseguro
e ao mesmo
tempo um tipinho
engraçado
Com a mão direita apoiada na arma e a outra
ele não sabe onde botar
agora ele cruza os braços
como
se fosse
se transformar
em macho
em um só ato
agora faz cara de mau
Vejam só como ele é mau
dá tanto tesão
quanto um pote de
requeijão podre
com sua validade vencida
há três meses
mofando
na geladeira
bem lá no fundo…
e bem
lá no fundo
talvez
ele saiba de tudo isso
mas ele poderia
fazer o quê?
suicídio?
não…
muito mal visto
na sociedade
esse tipo de coisa
Ele continua sem saber
o que fazer
com suas
mãos
e braços e pernas e botinas grandes de couro e boina levemente caída para o lado esquerdo
como se dissesse “Quero me assumir, já não aguento mais essa vida de clausura!”
Ele continua sem saber
o que fazer
com suas
mãos
nem com seus
olhos
que agora
se direcionam
a
mim
Bem lá no fundo
talvez
ele saiba
que eu estou
falando mal
dele
neste momento
Ele ainda não sabe
o que fazer
com as
mãos
talvez
ele possa
as enfiar
no
cu
e
por fim
ter algum tipo
de remédio
pra sua monótona tarde.
Renan Pretto
Eu tenho um hábito idiota de fazer comentários grosseiros a respeito dos complexos corporais das pessoas. muito das vezes eu nem noto que falei algo desagradável. a notícia de que afundei o barco com meu canhão vêm através do brilho. ora ardente, botando fogo nos móveis da sala. ora opaco, criando um vácuo na mesa do bar, por onde a pessoa ofendida é lançada.
Quando eu tinha onze anos, eu caminhei até um espelho grande do quarto da minha mãe e então, mirei meu perdido olhar ao centro dos olhos do meu reflexo e prometi aos berros que ninguém nunca mais me zombaria pelo fato de eu ser gordo.
Dez anos a mais. vinte e poucos quilos a menos. essa criança parece ter se tornado uma mal agradecida.
O tempo é muito traiçoeiro e suas piadas são tão ruins quanto as minhas, mas eu aprendi com ele que todos são desse modo. sentimos prazer em dominar, humilhar, mandar. somos pequenos ditadores caricatos, donos de seus ilusórios reinos.
Renan Pretto
Ela andava
pelas nuvens
O seu vestido era
a fresca brisa
Era tão jovem
quanto livre
E já possuía
a velha calmaria
Quando eu gritava
ela vinha
até mim
O som
do
seu sorriso
me colocava
pra dormir
Porquê será que eu ainda choro
só de sonhar
no dia
em que você for partir
se é
a única certeza
que existe?
Voa maria…
Renan Pretto
Renan Pretto
I.
“A preguiça é inimiga da vitória”. Deve ser por isso que eu sou um fracassado. Tá explicado. Agora eu sei de onde vem esse mal estar interno. Aliás, o mal estar que corrói as estranhas do planeta também. Realmente sempre fui preguiçoso, todos os meus empregos foram frutos de uma pergunta filtradora muito simples: “Qual é o horário de entrada?”. Se a resposta fosse referente após o meio-dia, a minha boca logo assinalava positivamente. Caso contrário, eu nem me dava trabalho de ouvir o resto. Claro, há exceções, como o valor do salário. Dependendo do quanto mexesse na minha ambição juvenil famigerada, eu até poderia aceitar ter de acordar cedo. Mas como eu disse…isso só em casos extraordinários. E milagres, diferentemente do que a maioria diz, não acontecem todos os dias. O cotidiano é de um feio cinza devido a sua falta de magia.
II.
E lá estava eu, acordando cedo. Confesso que todo o meu corpo lutava bravamente para o meu permaneci mento na cama, porém algo que me parecia até então tão pequeno, se mostrou estranhamente forte.
Eram 6 e 30 da manhã e eu me arrastejava comicamente até a cozinha, depois de ter rolado na cama trinta cômicos minutos. Como um sinal de fábrica, a voz da minha mãe ecoava em minha mente, e se repetiam, ah, como se repetiam…“Ele começou a ter convulsões…depois vomitou…deu entrada no hospital às 5…”
Aquilo parecia uma enxaqueca…ainda bem que eu nunca tive…quer dizer, isso foi apenas uma analogia preconceituosa mal colocada…
III.
Como eu dizia, aquilo que eu não sabia o nome me jogou do conforto dos deliciosos lençóis, me colocou de pé (mesmo que de uma forma que eu parecia um zumbi) e fez com meus pés descem as calcadas mais penosas já vistas. Entrementes, já era um progresso…
Bom, lá estava eu em seguida sentado em um banco velho de madeira, esperando por algum parente trazer notícias do meu avô. Creio que é isso o quê as pessoas chamam por aí de amor. Não havia outra explicação plausível para eu estar lá. “Eu te amo” é propaganda de margarina famosa, agora os atos, esses sim comprovam algo, eles estão mais ligados a realidade, e, não importa a merda da opinião que você tenha sobre amar é isso ou amar é aquilo e blá blá blá blá…foda-se…isso é um fato e contra fatos não há argumentos, e muito embora eu odeie matemática, tenho de assumir, o mundo é feito de números e a vida de resultados, é a realidade. Poesia é estória pra enganar criança, pra depois botá-la para dormir. E saiba, dói muito dizer isso, até porque, poesia é única coisa que eu sei fazer. E nem sei ao certo se sei fazer direito.
IV.
Eu não tenho vocação pra herói. Muito menos quero essa âncora pra mim. Aquele lugar do caralho, o qual toda minha infância eu passei, entre deformidades, escatologias, protuberâncias, anomalias, doenças, infecções, gente bizarra pra lá, gente bizarra pra cá. Cheiros. Sim, cheiros… mas que de tantos, acabam por se confundirem, tornando-se apenas um. É um odor hospitalar que só os profissionais da área da saúde ou os desgraçados como eu entenderam.
Enfim, eu estava lá…mais uma vez.
E só o fato de estar lá, só o fato de eu me importar com ele, enquanto às vezes nem comigo mesmo eu me importava, estar ao lado dele, olhar pra ele, sorrir pra ele, embora muitas vezes nem pra mim mesmo eu sorrisse… sabe, era o máximo que eu podia fazer.
V.
Semelhante quando minha mulher me acusava com palavras e olhares desconfiados a respeito da minha fidelidade sexual, e coisa e tal, pra depois, eu descobrir que ela passara meses escondendo seu vício em cocaína de mim.
E eu estive do lado dela.
Reforço o que anteriormente gravei aqui. O companheirismo é a única virtude que eu tenho. Se você for caminhar no inferno, acredite, eu vou contigo, claro, se eu te amar. É a única prova que eu te posso dar. Prova…de que eu ainda tenho alguma coisa humana dentro de mim.
Ah! Pra encerrar a estória a cerca da minha mulher (já que eu entrei na porra deste assunto mesmo), hoje nós estamos separados.
VI.
Contudo eu não a julgo, bem como não julgo ninguém. No fim ninguém é culpado. Somos todos filhos. Filhos dos escrúpulos dos estúpidos. Sabe como é, você, eu, nós, a sociedade, a música clássica, o futebol, as belas pernas daquela loira na sua frente do ônibus com um imenso rabo roçando no teu pau, o whisky que custa quase 100 mangos sendo que o teu salário é somente 6 vezes mais, o café requentado porque você ainda não cumpriu a promessa que fez pra si mesmo de comprar uma cafeteira…tudo é estúpido.
Enfim, tudo isso virará bosta…e o pior de tudo, sabe o que é?
Eles não usaram como esterco.
Nem pra isso servimos. Se ao menos pudéssemos fortalecer o solo que, futuramente iria gerar alguma novidade, o progresso…a vitória!
Finalmente, chegamos ao ponto inicial, que é uma coisa boa afinal…mas a questão da vitória fica mais difícil, aqui ela não será respondida, fica pra próxima…
Mais uma vez…
*Ao som de Piano Concerto No. 21 in C major – Allegro maestoso - Mozart
Isso não é o fim
Nem mesmo o meio
Quantas vezes você já foi quebrado em mil pedaços
E no dia seguinte estava refeito?
Quantas vezes você já esteve louco
Por querer tudo perfeito?
Esquecendo que o torto
É o yang do direito
Algo às vezes é visto como uma mancha
Porque não conseguimos explicar
A beleza escondida pela nossa própria fumaça
Se perde toda poesia em um mar de ignorância
O fim é no final
Um sinal de preguiça
Isso não é o fim
Nem mesmo é o meio
Isso não é o fim, não
Isso é apenas o começo
O começo
R.P
Torço, sério, eu torço pra que vocês estejam certos, que deus realmente exista, para que um dia eu possa encontrá-lo, olhar em seus olhos e com um enorme sorriso debochado, eu diga “Mas que merda você fez, hein? Pô, que merda! Podia ter caprichado melhor…”
Mas enquanto esse dia não chega, eu ofereço esse brinde a ele: O maior piadista de todos os tempos!
R.P
ÔOooooo tomei cuidado!
Até onde você quer chegar?!
Ofertando assim
O fundo da tu’alma?
Mantenha teus sentimentos
Escondidos na gaiola!
Tente se lembrar,
Do quanto as pessoas podem te ferrar
Tente se atentar,
Pra não tropeçar no teu próprio caminhar
O amor é implantando na mídia
Com uma espécie de bomba
“Oh, ela vai estourar!”
Não há como se salvar…
Eu sou uma manteiga derretida…
- só um momento por favor -
No pão eles irão me passar.
Renan Pretto
“O segurança se aproximou e me disse “ei cara, você poderia ir fumar lá perto das palmeiras?” mas seu olhar dizia “vá lá fumar o mais longe possível daqui” e isso ficou claro quando eu percebi que a distância onde eu estava até as palmeiras era longa o bastante pra me deixar distante da porta ou seja da passagem dos diretores dos gerentes dos supervisores enfim de todos que estão a cima de um cachorro pois era isso que eu era e no fundo isso era bom eu precisava de algo que me colocasse no chão ora ou outra um escritor precisa disso provavelmente todas as pessoas precisem para que não se tornem gradativamente seres estúpidos.”
R.P